Nesta segunda-feira, 02 de maio de 2011, a imprensa mundial divulgou a notícia mais esperada da década: Osama Bin Laden está morto. Dez anos após os atentados terroristas que representaram uma das maiores violências contra a humanidade. Um ataque covarde, em nome de uma religião, de um Deus. Mas o que isso significa para a comunidade internacional hoje?
Os americanos estão em festa. Para eles, é uma questão muito simples: de justiça e liberdade. Osama Bin Laden foi responsável, de fato, por uma violência absurda, que levou à morte milhares de pessoas e destruiu parte de uma estrutura, de uma organização, de um país e do planeta como um todo. Quem não se lembra dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001? Todos nós nos lembramos exatamente onde estávamos. E tudo isso alterou, efetivamente, a visão de mundo de várias gerações. Criou uma nova ordem mundial. Dividiu o mundo em antes e depois da consolidação do terrorismo religioso, sobretudo islâmico.
No entanto, há muitas outras questões envolvidas em todo esse contexto. É necessário recuperar conceitos que vão além do Realismo clássico e que esbarram em fundamentos contemporâneos das Relações Internacionais. A segurança nacional se tornou, com o terrorismo, mais do que função principal do Estado, um ideal de governança, base para a atuação diante da comunidade internacional. Uma atuação voltada para a guerra contra o medo, contra as ameaças, contra o diferente, o oposto, o Oriente. Dividindo, assim, o planeta em mocinhos e bandidos, ocidente versus oriente.
O mais impressionante em toda essa história é que a morte de Osama Bin Laden não representa o fim do terrorismo religioso. Pelo contrário, significa uma ameaça muito maior. E hoje o mundo está, verdadeiramente, em alerta máximo. Além disso, impressiona, ainda, o fato de que os Estados Unidos ignoraram totalmente a soberania, o controle aéreo e a defesa nacional do Paquistão. O país foi invadido pelas forças armadas americanas. E agora está passando por vários questionamentos quanto à permanência de um homem tão procurado em seu território, sem ter o menor conhecimento disso. Onde foi parar a soberania estatal diante da guerra santa, do ocidentalismo e do conflito entre as civilizações?
O terrorismo é um grande mal das relações internacionais contemporâneas. Mas o nazi-fascismo, por exemplo, causou tragédias tão ou mais traumáticas para a comunidade internacional, quando o racismo se tornou, efetivamente, uma das principais razões para os conflitos e guerras da humanidade. E mesmo os nazistas foram levados a julgamento e condenados por genocídio. Por que os terroristas religiosos não deveriam ter esse direito de ser julgados? De, apesar de tudo, usufruir dos direitos humanos com dignidade? Isso se chama Justiça. E a morte de Osama Bin Laden, como aconteceu, não é justiça. É assassinato.
Não posso finalizar esse post sem comentar a Teoria da Conspiração. Será que Osama Bin Laden está morto mesmo? Por quê os americanos cumpririam os preceitos do Islã e realizariam um "funeral" muçulmano, em alto mar, para um homem tão odiado? Não há absolutamente nenhuma imagem oficial do corpo. Osama Bin Laden tinha uma irmã e ninguém nunca soube? Seria tudo isso mais uma cena do teatro norte-americano para manter sua eterna hegemonia mundial?
O que mais interessa agora é que a morte de Osama Bin Laden está praticamente concretizada. E muita coisa está errada nesses acontecimentos. Não é questão de defendê-lo, jamais. É simplesmente pensar e questionar a realidade internacional como ela nos é passada, através de uma mídia duvidosa, parcial e influenciável. Não podemos acreditar em tudo que vemos e ouvimos. Não podemos tomar as países ocidentais, ou os Estados Unidos, como donos da verdade. Como superiores. A justiça não consiste em matar quem matou. A justiça está em respeitar e fazer valer os direitos humanos, cumprir com a legislação internacional e mudar o que está errado. A justiça está na imparcialidade, no fim do senso comum e de toda e qualquer generalização preconceituosa.
Por fim, gostaria de comentar que tive a oportunidade de estudar e preparar um seminário - muito elogiado, a propósito - sobre a cultura islãmica, durante a faculdade, que me fez conhecer e respeitar suas diferenças e limitações diante da nossa cultura totalmente ocidental. O Islã é uma religião, uma crença, uma ideologia, uma forma de vida muito rica e bela. Quem se aprofunda em seus mistérios compreende verdadeiramente o que é uma cultura diferente e aprende a lidar com as diversidades naturais presentes em toda a humanidade.
Não sou a pessoa certa para comentar, pq não tenho o conhecimento internacionalista que vc tem, mas concordo com tudo que vc disse. O mundo e principalmente os Estados Unidos, não estarão livres do terrorismo pq o seu grande lider fora assassinado, pelo contrario, acredito que isso foi o estopim para o inicio de inumeros ataques em resposta à morte de Osama Bin Laden. Ele era sim um criminoso, mas assim como foi feito com Sadam, acho q ele deveria ter tb seu julgamento e não ser sumariamente executado (se é q foi) por aqueles que se julgam os donos do mundo. Criaram um teatro muito estranho, no qual há um assassino, mas não não há um corpo. Houve um exame de DNA feito com alguém que até antes de 02/05/2011 o mundo não sabia que existia, soldados em um porta aviões, sedentos pela morte do grande carrasco, fazendo funeral muçulmano e por fim, alem de nao haver o corpo, o governo norte americano não irá divulgar as fotos do seu maior "troféu". Estranho isso né? Acredita quem quer, quem não quer, espera uma resposta que convença a todos do que realmente houve nakele dia! Oriente x Ocidente, EUA e seu teatro X a opinião do resto do mundo! E agora, EUA, estão preparados??
ResponderExcluirAcredito que o próprio governo dos EUA seja culpado pelo atentado. Os caras são capazes de tudo para continuar com sua hegemonia e poder.O Obama já está preparando sua campanha para reeleição. ¬¬
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