Nesta segunda-feira, 02 de maio de 2011, a imprensa mundial divulgou a notícia mais esperada da década: Osama Bin Laden está morto. Dez anos após os atentados terroristas que representaram uma das maiores violências contra a humanidade. Um ataque covarde, em nome de uma religião, de um Deus. Mas o que isso significa para a comunidade internacional hoje?
Os americanos estão em festa. Para eles, é uma questão muito simples: de justiça e liberdade. Osama Bin Laden foi responsável, de fato, por uma violência absurda, que levou à morte milhares de pessoas e destruiu parte de uma estrutura, de uma organização, de um país e do planeta como um todo. Quem não se lembra dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001? Todos nós nos lembramos exatamente onde estávamos. E tudo isso alterou, efetivamente, a visão de mundo de várias gerações. Criou uma nova ordem mundial. Dividiu o mundo em antes e depois da consolidação do terrorismo religioso, sobretudo islâmico.
No entanto, há muitas outras questões envolvidas em todo esse contexto. É necessário recuperar conceitos que vão além do Realismo clássico e que esbarram em fundamentos contemporâneos das Relações Internacionais. A segurança nacional se tornou, com o terrorismo, mais do que função principal do Estado, um ideal de governança, base para a atuação diante da comunidade internacional. Uma atuação voltada para a guerra contra o medo, contra as ameaças, contra o diferente, o oposto, o Oriente. Dividindo, assim, o planeta em mocinhos e bandidos, ocidente versus oriente.
O mais impressionante em toda essa história é que a morte de Osama Bin Laden não representa o fim do terrorismo religioso. Pelo contrário, significa uma ameaça muito maior. E hoje o mundo está, verdadeiramente, em alerta máximo. Além disso, impressiona, ainda, o fato de que os Estados Unidos ignoraram totalmente a soberania, o controle aéreo e a defesa nacional do Paquistão. O país foi invadido pelas forças armadas americanas. E agora está passando por vários questionamentos quanto à permanência de um homem tão procurado em seu território, sem ter o menor conhecimento disso. Onde foi parar a soberania estatal diante da guerra santa, do ocidentalismo e do conflito entre as civilizações?
O terrorismo é um grande mal das relações internacionais contemporâneas. Mas o nazi-fascismo, por exemplo, causou tragédias tão ou mais traumáticas para a comunidade internacional, quando o racismo se tornou, efetivamente, uma das principais razões para os conflitos e guerras da humanidade. E mesmo os nazistas foram levados a julgamento e condenados por genocídio. Por que os terroristas religiosos não deveriam ter esse direito de ser julgados? De, apesar de tudo, usufruir dos direitos humanos com dignidade? Isso se chama Justiça. E a morte de Osama Bin Laden, como aconteceu, não é justiça. É assassinato.
Não posso finalizar esse post sem comentar a Teoria da Conspiração. Será que Osama Bin Laden está morto mesmo? Por quê os americanos cumpririam os preceitos do Islã e realizariam um "funeral" muçulmano, em alto mar, para um homem tão odiado? Não há absolutamente nenhuma imagem oficial do corpo. Osama Bin Laden tinha uma irmã e ninguém nunca soube? Seria tudo isso mais uma cena do teatro norte-americano para manter sua eterna hegemonia mundial?
O que mais interessa agora é que a morte de Osama Bin Laden está praticamente concretizada. E muita coisa está errada nesses acontecimentos. Não é questão de defendê-lo, jamais. É simplesmente pensar e questionar a realidade internacional como ela nos é passada, através de uma mídia duvidosa, parcial e influenciável. Não podemos acreditar em tudo que vemos e ouvimos. Não podemos tomar as países ocidentais, ou os Estados Unidos, como donos da verdade. Como superiores. A justiça não consiste em matar quem matou. A justiça está em respeitar e fazer valer os direitos humanos, cumprir com a legislação internacional e mudar o que está errado. A justiça está na imparcialidade, no fim do senso comum e de toda e qualquer generalização preconceituosa.
Por fim, gostaria de comentar que tive a oportunidade de estudar e preparar um seminário - muito elogiado, a propósito - sobre a cultura islãmica, durante a faculdade, que me fez conhecer e respeitar suas diferenças e limitações diante da nossa cultura totalmente ocidental. O Islã é uma religião, uma crença, uma ideologia, uma forma de vida muito rica e bela. Quem se aprofunda em seus mistérios compreende verdadeiramente o que é uma cultura diferente e aprende a lidar com as diversidades naturais presentes em toda a humanidade.
D&L Relações Internacionais e Comércio Exterior
International Advisement. Entre em contato abaixo! daniela.amaral@me.com
quarta-feira, 4 de maio de 2011
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Árabes e Não Árabes
Sinceramente, odeio quando as pessoas falam "árabe" se referindo a nacionalidade. Sim, realmente quem nasce na Arábia Saudita é árabe. Mas o árabe, em si, é um idioma, como o inglês, o espanhol, o francês ou o italiano. Um homem nascido no Afeganistão não é um árabe. Ele é um afegão, muçulmano (provavelmente), que fala árabe. Da mesma forma que um homem nascido em Israel é israelense, provavelmente judeu e fala hebraico. O árabe não é nem mesmo uma etnia, religião ou ideologia. Nós brasileiros - como fazem também outras populações ocidentais - temos esse péssimo hábito de adaptar o idioma árabe a tudo que tenha origem no Oriente Médio. Mas além do árabe, há no Oriente Médio idiomas como o persa (árabe antigo), falado no Irã, o hebraico, o turco, o sírio, o aramaico (dialeto religioso judeu), entre outros. Assim, o árabe não pode, nem de longe, caracterizar ou descrever a cultura geral do Oriente Médio. Seria ideal que nós, e grande parte do mundo ocidental, tivéssemos noção disso... mas nós não temos. E aí está mais uma parte da realidade internacional, das relações entre os países, que em geral desconhecemos. Falar árabe, seguir o Islã, usar burcas e jóias douradas não são limitações "árabes". São curiosidades orientais, que devemos respeitar e diferenciar de todas as outras possibilidades que encontramos no Oriente Médio. Saber diferenciar o idioma de uma definição equívoca criada sobretudo pela mídia ocidental é papel de todo internacionalista que conhece, admira e, acima de tudo, respeita a realidade do Oriente Médio.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A Incrível Arte de Pensar
Eu cresci aprendendo a pensar. Meu pai me ensinou a pensar, desde pequena, em vários sentidos, e quando eu escolhi a minha faculdade de Relações Internacionais não sabia que seria tão estimulada a pensar. Falando assim, parece bem simples. Mas não é. As pessoas gostam muito de falar, mas elas não têm base. Base que sustente seus argumentos. Uma base teórica, uma base empírica, não importa. O que falta às pessoas hoje é ter base para defender seus ideais e justificar sua forma de agir quanto cidadãos. Em Brasília, a UnB é uma instituição extremamente reconhecida. É bom quem está na UnB. Mas quem não está lá dentro, tem a oportunidade de conhecer profissionais que saíram de lá. Em Brasília, você vai a um bar e as pessoas estão bêbadas discutindo visões políticas, formas de convivência, ideias inovadoras, revelando suas diferentes formas de pensar. E não apenas aquele pensar para dizer que já fez sua parte, mas pensar e aceitar outra opiniões, outras verdades que façam mais sentido. Aqui em São Paulo, as pessoas estão com pressa demais para pensar. Elas têm pressa para fazer dinheiro. Não que isso seja necessariamente ruim. Não quero fazer aqui uma crítica exclusivamente negativa a essa nova forma de vida com a qual ainda estou aprendendo a lidar. Mas aqui as pessoas não pensam. É muito raro você encontrar uma mente realmente pensadora, vagando por essa cidade imensa. Uma mente que vá além do Google ou da Wikipedia e que se mostre esforçada para revelar suas ideias formadas por meio do pensamento, pela arte de pensar. Verdadeiramente pensar. Sinto falta disso. De pensar e encontrar pessoas que pensem comigo. É realmente cansativo ter uma cultura de verdadeiramente pensar e viver em um ambiente onde isso não é reconhecido e praticamente não vale nada. Mas pensar está em mim, está no que eu sou como ser humano. Sou uma internacionalista. Relações Internacionais é um curso focado, basicamente, em Política e Direito. Não aquela política que vemos de 4 em 4 anos, mas a política que é intrínseca a cada ser humano, o fato social que está consolidado em todas as sociedades. Em Rel, vemos Direito, focado sobretudo no Direito internacional, público e privado, como também o direito de guerra e as comparações entre sistemas de direito diferentes, em vários países do mundo. Mesmo que aqui as pessoas não estejam preocupadas em pensar, eu nunca poderei agir de forma diferente. Sou uma pessoa diplomática, analítica e odeio generalizações e senso comum. Eu gosto de usar a cabeça, por menor significado que isso tenha para o ideal de vida que eu escolhi viver. PENSE nisso.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Época Debate: A Transição do Brasil de Potência Regional a País com Peso nas Decisões Globais da Diplomacia
Ontem, aconteceu, na Editora Globo, um debate da revista Época, sobre a nova diplomacia brasileira e a transição do Brasil de líder regional a líder global, com a participação do embaixador Rubens Barbosa e do cientista político Amaury de Souza. O debate buscou analisar, sobretudo, os desafios que serão enfrentados pelos nossos novos governantes, a serem eleitos no próximo mês, quanto à política externa brasileira e às questões internacionais que devem ser priorizadas, para que se mantenha o aspecto de favorecimento da participação brasileira junto à comunidade internacional. Eu trouxe alguns pontos principais das apresentações daqueles dois conhecedores da política externa brasileira e porquê não dizer, doutrinadores das relações internacionais do Brasil.
De acordo com Amaury de Souza, a política externa do Brasil deve ser focada no comércio exterior e na política de segurança. Não entende-se a última questão como um aspecto meramente realista, no que trata das teorias de relações internacionais, mas sim algo voltado principalmente para a integração regional ou continental. De acordo com o cientista político, a violência transnacional tem se sobressaído nos países não só da América do Sul, mas para além, na América Latina, como no México, que temos visto nos últimos dias. Essa violência que ultrapassa fronteiras deve ser também tópico da política externa do Brasil, bem como de todos os países do continente americano, que buscam destaque e atuação efetiva, além de reconhecimento, junto à comunidade internacional. Não só em trocas comerciais, que ainda precisamos tornar política de governo e de Estado, ou estímulo ao segundo setor, é que devemos focar nossa política externa. É preciso ir além das fronteiras e basear-se em segurança nacional, no que se refere ao Brasil e aos países vizinhos.
Para o embaixador Rubens Barbosa, a característica de continuação, presente na política externa brasileira desde sempre, foi quebrada nos últimos anos, a partir do Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Apesar das afinidades regionais, a política externa atual não corresponde ao momento de mudanças globais que estamos vivendo. Para o embaixador, várias situações internacionais vividas e priorizadas pelo governo brasileiro são consideradas um grande fracasso da nossa atuação internacional. A rodada Doha, o G20 comercial, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, América Latina, América do Sul, Mercosul, integração regional: tudo isso significou nada, de acordo com o ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington. Para Rubens, o Brasil vai entrar sim para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e isso é apenas questão de tempo. Já a região sul está cada vez mais desintegrada, devido às visões de mundo diferenciadas. Nesse sentido, o único ponto positivo da nossa política externa é apenas a sua histórica continuidade. Soma-se a isso a formação dos BRICs, uma das principais realizações da política externa do Brasil, e a projeção externa que temos conquistado nos últimos anos, ao buscar atuar sobre os global issues ou sobre a reforma do sistema financeiro internacional. No que se refere ao aspecto comercial, o Brasil firmou dois acordos nos últimos dias, um com Israel e outro com o Egito, ambos sem a menor relevância comercial. A abertura comercial, a ideia do duty free - cota free e os acordos com pequenos mercados mundiais seguem descaracterizando nossa política externa como força importante para a comunidade internacional. De acordo ainda com o embaixador, a nossa política externa não foi alavancada pelo aumento das exportações brasileiras. Houve um crescimento no mundo todo e inclusive no Brasil. Apesar disso, estamos enviando mais manufaturas para o Mercosul do que para os EUA, exportando apenas bens primários, ficando para trás da China com sua economia de mercado, seu dumping e seu framework.
Essas são questões fundamentais que deverão ser abordadas e priorizadas pelo próximo presidente (ou presidenta) do Brasil. É preciso manter a continuidade, no sentido de caminhar para frente e para a evolução, para o desenvolvimento, e buscar concretizar uma liderança global, que ultrapasse as fronteiras locais, regionais e continentais, a fim de se manter o país em um estágio de crescimento e fortalecimento junto às grandes potências mundiais.
Daniela
De acordo com Amaury de Souza, a política externa do Brasil deve ser focada no comércio exterior e na política de segurança. Não entende-se a última questão como um aspecto meramente realista, no que trata das teorias de relações internacionais, mas sim algo voltado principalmente para a integração regional ou continental. De acordo com o cientista político, a violência transnacional tem se sobressaído nos países não só da América do Sul, mas para além, na América Latina, como no México, que temos visto nos últimos dias. Essa violência que ultrapassa fronteiras deve ser também tópico da política externa do Brasil, bem como de todos os países do continente americano, que buscam destaque e atuação efetiva, além de reconhecimento, junto à comunidade internacional. Não só em trocas comerciais, que ainda precisamos tornar política de governo e de Estado, ou estímulo ao segundo setor, é que devemos focar nossa política externa. É preciso ir além das fronteiras e basear-se em segurança nacional, no que se refere ao Brasil e aos países vizinhos.
Para o embaixador Rubens Barbosa, a característica de continuação, presente na política externa brasileira desde sempre, foi quebrada nos últimos anos, a partir do Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Apesar das afinidades regionais, a política externa atual não corresponde ao momento de mudanças globais que estamos vivendo. Para o embaixador, várias situações internacionais vividas e priorizadas pelo governo brasileiro são consideradas um grande fracasso da nossa atuação internacional. A rodada Doha, o G20 comercial, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, América Latina, América do Sul, Mercosul, integração regional: tudo isso significou nada, de acordo com o ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington. Para Rubens, o Brasil vai entrar sim para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e isso é apenas questão de tempo. Já a região sul está cada vez mais desintegrada, devido às visões de mundo diferenciadas. Nesse sentido, o único ponto positivo da nossa política externa é apenas a sua histórica continuidade. Soma-se a isso a formação dos BRICs, uma das principais realizações da política externa do Brasil, e a projeção externa que temos conquistado nos últimos anos, ao buscar atuar sobre os global issues ou sobre a reforma do sistema financeiro internacional. No que se refere ao aspecto comercial, o Brasil firmou dois acordos nos últimos dias, um com Israel e outro com o Egito, ambos sem a menor relevância comercial. A abertura comercial, a ideia do duty free - cota free e os acordos com pequenos mercados mundiais seguem descaracterizando nossa política externa como força importante para a comunidade internacional. De acordo ainda com o embaixador, a nossa política externa não foi alavancada pelo aumento das exportações brasileiras. Houve um crescimento no mundo todo e inclusive no Brasil. Apesar disso, estamos enviando mais manufaturas para o Mercosul do que para os EUA, exportando apenas bens primários, ficando para trás da China com sua economia de mercado, seu dumping e seu framework.
Essas são questões fundamentais que deverão ser abordadas e priorizadas pelo próximo presidente (ou presidenta) do Brasil. É preciso manter a continuidade, no sentido de caminhar para frente e para a evolução, para o desenvolvimento, e buscar concretizar uma liderança global, que ultrapasse as fronteiras locais, regionais e continentais, a fim de se manter o país em um estágio de crescimento e fortalecimento junto às grandes potências mundiais.
Daniela
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Questão 1 - Prova Escrita de Noções de Economia (Cespe - IRBr 2010)
Na época do Mercantilismo, quando a troca de bens por metais tornou-se cultura em grandes países, as sociedades começaram a considerar a importância da comercialização, a partir da ideia de que para que um queira comprar, o outro precisa, necessariamente, querer vender. Para os mercantilistas, vender era fundamental, mas, por outro lado, comprar, ou importar, significava perder ouro e prata. Isso caracterizou o mercantilismo como uma forma protecionista de comércio, que valorizava apenas as vendas, as exportações, e a consequente entrada de metais no país.
As teorias clássicas do comércio internacional dividem-se entre Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill. Para Adam Smith, os países deveriam comercializar livremente, baseados em suas vantagens absolutas. Ou seja, cada país é bom em determinada produção e ruim na produção de um outro bem. Isso torna efetiva a realização do livre comércio, de uma forma natural, através da qual um país pode se dedicar àquilo que produz bem - e que outros países não produzem da mesma forma e, por isso, vão querer adquirir - e comprar de outros países aquilo que não produz com grande eficiência, valorizando, assim, suas horas de trabalho, sua mão-de-obra e sua produção.
A teoria das vantagens comparativas, de David Ricardo, baseia-se, principalmente, naquilo que determinado país não produz bem. Tudo começa com uma comparação entre dois países, que pode ser caracterizada pelo tempo de produção de determinado produto. Sempre um país vai ser mais eficiente que o outro na produção de um determinado bem, mesmo que um outro tenha vantagem absoluta total ou sempre esteja em desvantagem. Ao compararmos as possibilidades de produção, sempre vamos concluir que o comércio é vantajoso. Enquanto um país se dedica àquilo que produz melhor, um outro país produzirá também algo pelo qual se destaque em relação aos outros. Isso permite que todas as nações possam fazer parte do comércio internacional e atuar, efetivamente, na troca de bens - na exportação daquilo que produzem melhor e na importação daquilo que não produzem com grande eficiência ou até mesmo sem nenhuma eficiência.
John Stuart Mill também elaborou uma teoria clássica do comércio internacional, que substituía a quantidade produzida em um país, pela demanda de cada um e a produção realizada em um mesmo número de horas. Stuart Mill formulou a Teoria da Demanda Recíproca, que determinava a possibilidade dos países de realizar trocas, baseados nas alterações de suas demandas internas. Ao desafiar a teoria das vantagens comparativas de Ricardo, Stuart Mill criou novas formas de troca e novas possibilidades de comércio entre as nações, já que não mais a produção humana em determinado tempo seria fundamental, mas sim quanto seria produzido em determinado período, ao se comparar dois países.
(continua)
As teorias clássicas do comércio internacional dividem-se entre Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill. Para Adam Smith, os países deveriam comercializar livremente, baseados em suas vantagens absolutas. Ou seja, cada país é bom em determinada produção e ruim na produção de um outro bem. Isso torna efetiva a realização do livre comércio, de uma forma natural, através da qual um país pode se dedicar àquilo que produz bem - e que outros países não produzem da mesma forma e, por isso, vão querer adquirir - e comprar de outros países aquilo que não produz com grande eficiência, valorizando, assim, suas horas de trabalho, sua mão-de-obra e sua produção.
A teoria das vantagens comparativas, de David Ricardo, baseia-se, principalmente, naquilo que determinado país não produz bem. Tudo começa com uma comparação entre dois países, que pode ser caracterizada pelo tempo de produção de determinado produto. Sempre um país vai ser mais eficiente que o outro na produção de um determinado bem, mesmo que um outro tenha vantagem absoluta total ou sempre esteja em desvantagem. Ao compararmos as possibilidades de produção, sempre vamos concluir que o comércio é vantajoso. Enquanto um país se dedica àquilo que produz melhor, um outro país produzirá também algo pelo qual se destaque em relação aos outros. Isso permite que todas as nações possam fazer parte do comércio internacional e atuar, efetivamente, na troca de bens - na exportação daquilo que produzem melhor e na importação daquilo que não produzem com grande eficiência ou até mesmo sem nenhuma eficiência.
John Stuart Mill também elaborou uma teoria clássica do comércio internacional, que substituía a quantidade produzida em um país, pela demanda de cada um e a produção realizada em um mesmo número de horas. Stuart Mill formulou a Teoria da Demanda Recíproca, que determinava a possibilidade dos países de realizar trocas, baseados nas alterações de suas demandas internas. Ao desafiar a teoria das vantagens comparativas de Ricardo, Stuart Mill criou novas formas de troca e novas possibilidades de comércio entre as nações, já que não mais a produção humana em determinado tempo seria fundamental, mas sim quanto seria produzido em determinado período, ao se comparar dois países.
(continua)
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
O que são os famosos "royalties"?
Mais uma dúvida que brota na minha mente internacionalista, e é algo que todos nós da área deveríamos saber, é sobre os royalties, mencionados atualmente para se referir à exploração do petróleo do pré-sal, mas que também está em vários outros contextos internacionais.
De forma bem genérica, royaltie é o preço cobrado por um proprietário, para exploração de determinado recurso finito. Pode ser cobrado sobre a utilização de uma patente ou sobre a exploração de recursos naturais - estes sob posse de uma nação e seus estados produtores.
O jornal Estadão elaborou uma boa definição, concisa e direta, sobre os royalties cobrados na exploração do petróleo:
"O que são royalties e como são cobrados?
De modo geral, royalty é um valor cobrado pelo proprietário de uma patente ou ainda por uma pessoa ou empresa que detém o direito exclusivo sobre determinado produto ou serviço.
No caso do petróleo, os royalties são cobrados das concessionárias que exploram a matéria-prima, de acordo com sua quantidade, e o valor arrecadado fica com o poder público.
De acordo com a legislação brasileira, Estados e municípios produtores - além da União - têm direito à maioria absoluta dos royalties do petróleo. A divisão atual é de 40% para a União, 22,5% para Estados e 30% para os municípios produtores. Os 7,5% restantes são distribuidos para todos os municípios e Estados da federação.
A justificativa para essa divisão é de que os royalties são uma espécie de compensação às administrações locais, pelo fato de o recurso ser finito. Além disso, essas localidades em tese têm mais gastos com infraestrutura e prevenção de acidentes, por exemplo." (Estadão.com.br 16/03/10)
Informações úteis que podem ser utilizadas em qualquer outro tema, referente à exploração dos recursos naturais estatais.
Daniela
De forma bem genérica, royaltie é o preço cobrado por um proprietário, para exploração de determinado recurso finito. Pode ser cobrado sobre a utilização de uma patente ou sobre a exploração de recursos naturais - estes sob posse de uma nação e seus estados produtores.
O jornal Estadão elaborou uma boa definição, concisa e direta, sobre os royalties cobrados na exploração do petróleo:
"O que são royalties e como são cobrados?
De modo geral, royalty é um valor cobrado pelo proprietário de uma patente ou ainda por uma pessoa ou empresa que detém o direito exclusivo sobre determinado produto ou serviço.
No caso do petróleo, os royalties são cobrados das concessionárias que exploram a matéria-prima, de acordo com sua quantidade, e o valor arrecadado fica com o poder público.
De acordo com a legislação brasileira, Estados e municípios produtores - além da União - têm direito à maioria absoluta dos royalties do petróleo. A divisão atual é de 40% para a União, 22,5% para Estados e 30% para os municípios produtores. Os 7,5% restantes são distribuidos para todos os municípios e Estados da federação.
A justificativa para essa divisão é de que os royalties são uma espécie de compensação às administrações locais, pelo fato de o recurso ser finito. Além disso, essas localidades em tese têm mais gastos com infraestrutura e prevenção de acidentes, por exemplo." (Estadão.com.br 16/03/10)
Informações úteis que podem ser utilizadas em qualquer outro tema, referente à exploração dos recursos naturais estatais.
Daniela
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Mais uma vez, o Oriente Médio.
Quando eu estava começando a faculdade de Relações Internacionais, no segundo semestre, fiz um puta seminário sobre o Oriente Médio e a relação entre israelenses e palestinos. Aprendi muito sobre a cultura da região, sobretudo a religiosa, e também sobre como esse aspecto social pode interferir tanto nas relações entre os países e os seres humanos. Ontem, mais uma vez, a questão Israel-Palestina se destacou na agenda setting da mídia internacional. O que foi aquilo? Israel simplesmente viu uma tropa de bandeira turca adentrar seu território marinho e atacou? Uma tropa que levaria apenas ajuda humanitária aos palestinos? Mais uma vez, vamos interpretar a situação. A relação entre Israel e Turquia não é uma relação de companheirismo... mas é amigável. De fato, os turcos não concordam com a exploração israelense e aquela dominação injustificável sobre a Palestina. Mas não há guerra, não há conflito. Para entrar em um território marinho de um outro país, é preciso solicitar autorização e comprovar, documentalmente, a liberação para passagem ou exploração, dependendo do caso. A frota turca tinha essa autorização? Que tipo de marinha tem conhecimento da entrada de uma frota estrangeira e mesmo assim sai atacando, argumentando sua defesa nacional? Trabalhei com direito do mar, sei do que estou falando. E porque ajudar a palestina, através de Israel? Para concretizar a aceitação da comunidade internacional sobre a realidade que aqueles países vivem? Está tudo muito mal explicado, isso sim. O que a mídia nos fala é: os turcos foram levar ajuda à Palestina e foram atacados pelo israelenses, subtamente. Não cabe aos jornalistas explicar essa situação. Cabe a nós, internacionalistas. Há muita controvérsia nas relações entre Estados. O buraco é muito mais embaixo, sendo bem direta. Essa discussão continua.
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